Treinamento de força vinculado à redução do risco de depressão, especialmente para mulheres: nova pesquisa

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Um estudo recente publicado no Journal of Affective Disorders revela uma ligação significativa entre força muscular e redução do risco de depressão, particularmente em mulheres. Ao contrário de pesquisas anteriores que enfatizaram o cardio, este estudo sugere que a construção muscular pode ser um fator biológico mais direto no combate aos sintomas depressivos.

As descobertas do estudo: ligações genéticas com a saúde mental

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 341.000 adultos com idades entre 37 e 73 anos usando uma técnica chamada randomização mendeliana. Este método aproveita variações genéticas naturais para estabelecer associações sem vieses comuns de estudos observacionais. Os resultados mostraram que cada aumento de 0,1 quilograma na força de preensão por quilograma de peso corporal foi associado a um risco 14% menor de depressão. Nenhuma ligação desse tipo foi encontrada para a aptidão cardiorrespiratória.

Especificamente, maior força de preensão correlacionou-se com sintomas reduzidos como perda de prazer, alterações de apetite, humor deprimido, fadiga e problemas de concentração. O efeito foi notavelmente mais forte nas mulheres: um aumento semelhante na força de preensão foi associado a um risco 33% menor de anedonia (incapacidade de sentir prazer), uma redução de 30% no humor deprimido e uma melhoria de 26% na concentração.

Por que o treinamento de força pode funcionar: agência versus resistência

Os especialistas sugerem que os benefícios da construção muscular decorrem do seu impacto direto na autopercepção e na função biológica. Embora o cardio se concentre na resistência – a capacidade de suportar o desconforto – o treinamento de força fornece feedback imediato e um senso de agência. Esta experiência tátil de exercer força pode neutralizar a paralisia e a falta de motivação comuns na depressão.

O psicólogo Michael Brustein, PsyD, explica: “A força tem a ver com agência – a capacidade de exercer força. Para alguém que luta com a paralisia psíquica da depressão, o feedback tátil e imediato de mover um objeto pesado proporciona uma sensação de autoeficácia que uma caminhada longa e lenta não consegue replicar.”

Cardio ainda é importante, mas o treinamento de resistência deve ser priorizado

O estudo não invalida os benefícios do cardio para a saúde mental. Os pesquisadores enfatizam que ambas as formas de exercício são valiosas. No entanto, os resultados sugerem que o treino de resistência deve ser considerado essencial para a manutenção da saúde mental.

Como afirma Amy Taylor, PhD, coautora do estudo: “Não devemos abandonar o cardio, mas o treinamento de resistência deve ser visto como uma higiene de saúde mental inegociável”. A recomendação é de duas a três sessões semanais de resistência para manter a ativação neurológica.

Concluindo, esta pesquisa fornece evidências convincentes para priorizar o treinamento de força junto com o cardio, especialmente para mulheres, como um passo proativo para melhorar o bem-estar mental. O ciclo de feedback direto e reforçador da construção muscular pode oferecer um amortecedor biológico único contra os sintomas depressivos.