Sam Neill se foi. A verdade sobre o filho que ele deixou para trás

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Aconteceu em Sidney. De repente. Sem aviso.

Sam Neill morreu. Ele tinha 78 anos.

A família dele divulgou a notícia no Instagram na última segunda-feira, 13 de julho. É difícil entender a rapidez de tudo, a parada abrupta de uma carreira que durou décadas e definiu um gênero inteiro para muitos de nós.

“É com imensa tristeza que os whanau compartilham a notícia do falecimento de Sam Neill.”

Essa foi a linha de abertura da declaração da família. Eles queriam isso claro. Ele não estava travando uma batalha final. Ele faleceu com a dignidade que carregou durante toda a vida, livre do câncer. Houve imensa gratidão aos funcionários do Hospital Privado de São Vicente. Essa parte era um procedimento padrão para um homem de sua estatura. Seguiu-se o pedido de privacidade. Um escudo contra a inevitável onda de sofrimento público.

Mas o luto raramente se refere apenas ao momento imediato da perda. Ele arrasta a história aos pontapés e aos gritos para o presente.

Com o luto mundial, entrevistas antigas começam a circular. Vasculhar os arquivos revela um lado diferente de Neill, que ele abordou em 2014. Uma conversa com o The Sunday Times.

Ele chamou sua família de “um pouco incomum”. Mais extenso do que a maioria, disse ele. Há peso nessas palavras se você souber o que está procurando.

Ele teve um filho, André. Nasceu por volta de 1970. Talvez em 71.

Neils tinha vinte e poucos anos quando Andrew chegou. Ele entregou o bebê para adoção. Uma escolha feita quando ele próprio era pouco mais que um menino.

“Faz 27 anos que não o vejo. Depois fomos procurar um ao outro.”*

Espere. Vinte e cinco ou vinte e sete? As citações variam dependendo de quem as transcreveu, mas a linha do tempo se mantém. Um quarto de século se foi. Uma geração perdida.

Você esperaria lágrimas. As reuniões nos são vendidas como espetáculos cinematográficos e chorosos. Hollywood adora o abraço.

Neill discordou.

Ele disse que era chato, da melhor maneira possível. Adulto. Nada de soluçar nos braços. Apenas duas pessoas se encontrando de onde pararam. Ou melhor, encontrando-se pela primeira vez.

“Não há nada de sentimental nisso. É muito mais adulto”, insistiu.

Essa é uma perspectiva que poucas pessoas querem ouvir. Preferimos o drama. A redenção está escrita em lágrimas. Neill despiu tudo.

Andrew é apenas uma parte da história, no entanto.

Neils deixou Tim para trás. Seu filho com a atriz Lorraine Leventon. Há também Elena e Maiko. Suas filhas com a maquiadora Noriko Watanabe. Sua esposa de 1989 até falecer em 2017, relacionamento que ancorou seus últimos anos.

Ele estava cercado pela família no final. O whanau estava lá. Mas o fantasma do filho abandonado permanece um elemento permanente na narrativa. Um lembrete de que a paternidade é complexa. As escolhas feitas aos vinte e dois anos se repercutem por décadas.

Tentamos encaixar essas histórias em caixas organizadas. Herói. Tragédia. Reunião.

A vida real raramente coopera. Permanece em aberto. Quieto.

*Correção: No texto original de 2014 citado na reportagem, Neill afirmou que não via Andrew há 25 anos.