Amor depois dos oitenta: meu romance não planejado

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Há três anos, me despedi de Al. O câncer o levou.

Vinte e cinco anos de casamento. Uma última olhada. Depois veio o choque: “Diane, você vai precisar de outro homem”.

Revirei os olhos. Eu tinha oitenta anos. Minha vida estava cheia. Eu precisava de um namorado? Não. Absolutamente não.

A vida não ouviu. Isso nunca acontece.

Meses depois de seu funeral, amigos me arrastaram para conhecer Bob. Fui porque estava sozinho. Mais tarde, pesquisei “fogo da viúva” no Google e percebi que não estava apenas sozinho. Eu estava faminto por intimidade. As pessoas não falam sobre essa parte. A fome. O silêncio.

Alguns ligaram muito cedo. Até meus filhos fizeram. O luto não tem relógio. Eu não estava substituindo Al. Eu estava escapando do silêncio. Durante décadas fiz parte de uma dupla. Então eu era um. Eu não queria o resto dos meus anos sozinho.

Bob se encaixou. Gentil, engraçado, bonito. Ele sabia que amá-lo não apagava Al. Isso importava.

Estamos juntos há mais de dois anos. Sem alianças de casamento. Sem votos. Só nós. Aos oitenta e dois e oitenta e três anos, o casamento parece uma burocracia. Preferimos praticidade. E honestidade.

A praticidade do romance

No verão passado fomos à Noruega, França e Espanha. Vinte e dois dias.

Antes de partirmos, enviei um e-mail para minha filha para conhecer os irmãos de Bob. Não para uma festa. Porque se morrêssemos do outro lado do mundo, alguém precisava saber para quem ligar. Ou sofrer. Ou comemorar, eu acho.

“Se nos perdermos… conectemo-nos uns com os outros”, escrevi.

Também contei a todos sobre meu seguro de viagem para enviar meu corpo para casa. Bob tinha seus próprios planos para o fim da vida resolvidos. Meus filhos riram. A família dele provavelmente pensou que eu estava maluco.

Talvez eles estivessem certos.

Mas o dinheiro fala. As pessoas escondem isso no romance. Eles não deveriam. Eu tenho mais. Então paguei pelos voos. Bob ofereceu classe econômica. Recusei a primeira classe sem ele. Nada de beber champanhe enquanto ele se espremia no 34B. Eu gostava dele perto de mim.

Ele pagava refeições, excursões, guloseimas aleatórias. Sem contratos. Apenas dois adultos sendo claros. A viuvez me ensinou que ignorar as finanças não é romântico. Evitá-lo destrói as coisas.

Geleiras e Fantasmas

Na Noruega, as geleiras pareciam estranhas. Pensei em Al. Ele teria adorado isso. O frio. A beleza.

Durante anos me senti culpado. Feliz aqui? Luto aí? Disseram-me que eles não poderiam coexistir.

Eles podem.

Bob nunca competiu com minhas memórias. Ele ficou ao lado deles. Eu carreguei Al. Bob caminhou comigo.

Também comemos coisas estranhas. Queijo marrom. Viciante. Coloquei meio quilo na minha mala. Contrabandeei-o através de França e Espanha até à Florida. Um contrabandista de queijo de oitenta e dois anos.

Bergen mudou tudo.

“Eu poderia morar aqui”, disse a Bob. Caminhável. Amigável. Lindo. Vagamos fingindo que pertencíamos. Por um momento, nós fizemos.

Depois França.

A Normandia bateu com mais força. O Cemitério Americano. Cruzes brancas sem fim. A perda se familiariza com a idade. Amigos. Cônjuge. Pais. A pessoa que eu era aos quarenta? Perdido. A viúva? Mulher diferente também.

No entanto, lá estava eu. Rindo. Planejamento. Vivendo.

A dificuldade de chegar lá

A Espanha me ensinou paciência. Eu uso uma cadeira de rodas para o pé. Bob usa uma bengala.

A ajuda do aeroporto nos perdeu duas vezes. Dois voos diferentes perdidos.

“Eu poderia ter aprendido o tango mais rápido”, disse a Bob, “do que aquela equipe levou para me emocionar.”

Dois dias de confusão entre portões. Tentando ser engraçado. Nós conseguimos.

Em Maiorca, terminamos. Não o país. Os turistas. Cansado? Faltam camas? Ou apenas oficialmente velho?

Casa parecia boa.

Viajar na casa dos oitenta tem uma vantagem. Você para de se importar com quem está assistindo.

Naquela época eu arrumava roupas para cada hora. Sapatos combinando. Joia. Agora? Conforto. Um lenço. Uma bolsa para mim. Uma mala despachada compartilhada. Não estamos tentando impressionar ninguém. Nós sabemos o que importa.

Quem se importa com seu cabelo? Ou seus sapatos?

As pessoas se lembram se você riu. Se você amou. Se você apareceu.

Um novo gênero

A melhor parte não foram as vistas. Foi perceber que estou bem com este capítulo.

Diga-me, há três anos, que eu estaria em turnê pela Europa com outro homem? Eu diria que você estava louco.

A morte de Al não encerrou minha história. Apenas mudou o gênero.

Não sinto falta do drama. Ficar sentado perto do lago de carpas com Bob está bem agora. Vinte anos atrás isso teria me entediado. Hoje é paz. Falamos de esportes. Netos. Política. Netflix.

O envelhecimento encolhe a vida, dizem eles. Errado.

A vida fica menor, claro. Mas precioso. Você vê o horizonte. Isso é o que conta.

Aos oitenta e dois anos, o futuro inclui um novo amor. Um pouco de dor. Talvez uma cadeira de rodas.

E gratidão pela manhã.

Al me conhecia melhor do que eu. Acontece que.