Tentar engravidar parece uma eternidade quando os testes continuam negativos. Você lê as estatísticas – seis milhões de mulheres engravidam anualmente nos EUA – e se pergunta por que isso não está acontecendo com você. A realidade é que um em cada seis casais tem dificuldade em conceber após um ano de relações sexuais desprotegidas. Metade deles eventualmente consegue sucesso naturalmente ou com ajuda mínima. A outra metade enfrenta obstáculos mais profundos. Eles podem precisar de tratamentos avançados de fertilidade ou testes extensivos.
Os problemas de fertilidade raramente são simples. Eles podem resultar de desequilíbrios hormonais, tabagismo, idade ou peso. Às vezes, não há explicação alguma. Cerca de 20% dos casais com infertilidade nunca encontram uma causa. Mas às vezes o problema é estrutural. Um culpado frequentemente esquecido é a ademiose.
O que é adenomiose e como ela afeta a fertilidade?
A adenomiose é um distúrbio ginecológico estrutural. Ele está na mesma categoria de miomas, pólipos e endometriose. Ao contrário das questões hormonais, trata-se de posicionamento físico.
Aqui está o que acontece. O endométrio – o tecido que reveste o útero – começa a crescer no lugar errado. Em vez de permanecer no revestimento, invade o miométrio, a espessa parede muscular do útero. Este crescimento anormal perturba o sistema.
Os sintomas variam muito. Algumas mulheres apresentam menorragia, que é um sangramento menstrual intenso, muitas vezes acompanhado de coágulos. Outras sofrem de dismenorreia, o que significa cólicas menstruais intensas. Sexo doloroso e sangramento entre os ciclos também são comuns. Em alguns casos, forma-se uma massa anormal chamada adenomioma.
Depois, há as mulheres que se sentem bem. Até 35% das pessoas com adenomiose não apresentam sintomas aparentes. Eles podem ter um leve inchaço ou sensibilidade pélvica, ou mesmo nada. Esse silêncio torna o diagnóstico complicado.
Ainda não sabemos exatamente por que isso acontece. As teorias apontam para algumas possibilidades.
- Inflamação pós-parto: Mulheres que deram à luz correm maior risco. A inflamação no revestimento uterino após o parto pode desencadear a doença.
- Intervenção cirúrgica: Cesarianas, remoções de miomas ou outras cirurgias uterinas podem empurrar inadvertidamente as células endometriais para dentro da parede muscular.
- Origens do desenvolvimento: Alguns pesquisadores acreditam que a condição decorre da forma como o útero se formou durante o desenvolvimento fetal.
- Gatilhos hormonais: Altos níveis de estrogênio, progesterona, prolactina e FSH podem causar o distúrbio. Por ser dependente de estrogênio, os sintomas geralmente desaparecem após a menopausa, quando os níveis hormonais caem.
Adenomiose vs. Endometriose: Qual é a diferença?
Muitas vezes as pessoas confundem os dois. Eles estão relacionados, mas distintos.
Na adenomiose, o revestimento uterino cresce dentro da parede muscular do útero. Permanece interno. A endometriose é diferente. O tecido cresce fora do útero, geralmente no abdômen ou na pelve. Uma é uma invasão interna; o outro é um spread externo.
Você pode engravidar com adenomiose?
A adenomiose é mais comum em mulheres com idade entre 40 e 50 anos. Geralmente, isso já passou da idade fértil. Mas 15 a 25 por cento das mulheres em idade reprodutiva – normalmente na faixa dos 30 anos – são portadoras da doença. Para essas mulheres, a fertilidade é uma preocupação.
A condição não é fatal. Mas isso complica a gravidez. Estudos recentes mostram que mulheres com adenomiose enfrentam taxas mais altas de aborto. O risco de perda da gravidez pode ser o dobro do das mulheres sem a doença. Existe também um risco aumentado de parto prematuro e descolamento prematuro da placenta, onde a placenta se desprende da parede uterina.
A ligação com a fertilidade prejudicada é clara. O mecanismo exato permanece um mistério. Os pesquisadores não identificaram por que a adenomiose reduz as chances de concepção ou prejudica os resultados da gravidez. As mudanças estruturais provavelmente interferem na implantação ou na função uterina, mas os detalhes ainda estão sendo debatidos.
Opções de tratamento para mulheres que estão tentando engravidar
A histerectomia é a única cura. Remove totalmente o útero. Obviamente, esta não é uma opção para mulheres que desejam ter filhos.
Para quem está tentando engravidar ou se aproximando da menopausa, os tratamentos conservadores visam controlar os sintomas em vez de curar a doença. O objetivo é a mitigação. Manter a inflamação e o sangramento sob controle pode proporcionar um ambiente mais saudável para a gravidez, mesmo que o problema estrutural subjacente permaneça.
É frustrante enfrentar uma situação com tantas incógnitas. Mas compreender a adenomiose ajuda. Isso muda o foco de “por que eu” para “e agora”. O conhecimento é o primeiro passo para lidar com a fertilidade com uma condição que se recusa a permanecer em silêncio.
Gerenciando a dor sem cirurgia
A dor é o primeiro obstáculo. São dias pesados, persistentes e que estragam. Antiinflamatórios não esteróides (AINEs) de venda livre, como o ibuprofeno, são a solução ideal. Eles aliviam a dor e podem realmente aliviar seu fluxo mensal. Simples. Eficaz para muitos.
Os hormônios desempenham um papel mais importante se você não estiver com pressa para engravidar. Pílulas anticoncepcionais, antiestrogênios ou suplementos de progesterona podem diminuir o útero dilatado. Não se trata apenas de conforto. Trata-se de alívio estrutural. O útero fica menor. Os sintomas ficam mais silenciosos.
Mas e se você quiser filhos?
O caminho fica mais complicado. Você não pode simplesmente encerrar seu ciclo com métodos anticoncepcionais padrão. Em vez disso, os médicos podem prescrever agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH-a), como o Lupron. Ou inibidores de aromatase. Esses medicamentos reduzem os sintomas enquanto tentam preservar a fertilidade. É um equilíbrio delicado. Você está suprimindo o problema sem eliminar a chance de conceber.
Opções cirúrgicas que poupam seu útero
Se a medicação não resolver, a cirurgia está em jogo. Você não precisa escolher uma histerectomia. Existem alternativas.
A cirurgia citorredutora remove o tecido afetado. A cirurgia laparoscópica faz o mesmo com incisões menores. Ambos visam resolver o problema, mantendo o útero intacto.
Depois, há embolização da artéria uterina. Isso parece intenso. Isso é. Eles cortam o fluxo sanguíneo para a área danificada. O tecido encolhe. Os sintomas desaparecem. Não é necessária nenhuma grande incisão.
A ablação endometrial é outra via. Remove ou reduz o revestimento uterino. Menos revestimento significa menos sangramento. Menos dor.
Uma opção mais recente é o ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética (MRgFUS). Não é invasivo. Uma explosão concentrada de energia ultrassônica destrói as células danificadas. O tecido circundante permanece seguro. É promissor para mulheres que desejam restaurar a fertilidade. A tecnologia está evoluindo. As opções também.
A complicação da co-condição
A adenomiose raramente viaja sozinha.
Cerca de 80% das mulheres com adenomiose também apresentam outros distúrbios ginecológicos. Os miomas são comuns. A endometriose também.
Essa sobreposição é confusa. Isso torna o diagnóstico confuso. Você pode ter problemas de fertilidade. Eles são de adenomiose? Ou é a endometriose? Ou os miomas?
É difícil dizer. As condições se alimentam umas às outras. Tratar um pode não resolver a causa raiz. Você precisa de uma imagem clara. Um especialista que examina todo o útero. Não apenas um sintoma.
Saber o que mais está aí muda tudo. Isso muda o plano de tratamento. Isso muda o prognóstico.
Não presuma que é apenas uma coisa. Verifique os outros.
































